sexta-feira, 9 de abril de 2010

Das Lágrimas, e das Palavras...


Afinal é mais um final de tarde. Um mais!... Igual  ( ou talvez não) a tantos outros. O mar espera-me. Agora cada vez mais azul...  Sinto que o Inverno a que me abandonei, me devolve aos poucos  de novo à vida. Atravesso a rua, pouco movimentada àquela hora, e avisto as primeiras andorinhas a sobrevoarem as dunas.  Das palavras trancadas, seguro as últimas lágrimas, na ponta dos dedos. No movimento enfraquecido, sinto um calafrio no corpo, e uma náusea no estômago.  É o retorno dos gestos...
Espalho-as em volta dos olhos... Quem sabe as andorinhas venham beber da essência da palavra de que sou feita...  Quem sabe?
Pois que venham.  Pois que bebam.  Que a levem na ponta dos bicos, em pequenas gotículas transparentes.  Que a deixem cair sobre a terra com os seus  voos graciosos e alegres.  De preferência num campo de papoilas vermelhas  de bocas abertas.  Assim como abertas, foram e serão sempre as minhas palavras.  Assim como vermelho é o sangue que me corre nas veias, e  que  me  reclama pela vida...
(...)

Maria Augusta Loureiro
(Margusta)
In ( As Palavras)

*Reservados todos os direitos de autor (fotos e texto)*

9 comentários:

Lídia Borges disse...

Um texto que sugere bonitas imagens primaveris.

Um beijo

Maria disse...

Renascemos sempre no mar, querida Margusta. O mar é (quase) tudo para mim. Sei que também é muito para ti...

Beijos.

Sonhadora disse...

Minha querida
Que maravilhoso texto, cheio de esperança...gostei muito de ler.
Deixo o meu carinho e um beijinho.

Sonhadora

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

As papoulas são inebriantes e ao mesmo tempo entorpecentes, qualidades estas que têm a sua força aumentada quando a cor da flor é vermelha *assim como vermelho é o sangue que te corre nas veias, e te reclama pela vida*. Sim, com certeza as andorinhas vão beber a essências das tuas lindas palavras e estas, abertas, foram e sempre serão as tuas palavras. E este processo vai ser indolor! Escolheste bem a flor(inconscientemente ou não)!
Lindooooooo!
Parabéns, querida Margusta!
Beijos*********
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Depois disso nada como livrar do incômodo.

"A ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, o faz voar, afastar-se da terra, do ser terrestre, torna-o semi-real e os seus movimentos tão livres!"

A Insustentável leveza do ser, Milan Kundera

Post do nosso eu e daí? pra ti!
Venho exclusivamente aqui porque publiquei o poema que ofereceste a mí! Não estamos bem, mas fazemos bem uma para outra.
Teamo!
Beijos***************
Renata

Cata- Vento disse...

Um texto muito bonito feito com o teu estado de alma e que me parece estar a devolver-te à vida que tanto mereces. Retempera forças nesse mar maravilhoso que tens à tua beira. Estou convicta que a Primavera te devolverá o ânimo para continuar a apreciar a vida em todo o seu esplendor.

Força, Margusta!

Beijinhos mil, minha amiga.

Bem-hajas!

Filoxera disse...

Sempre com uma inspiração admirável...
Beijos.

Filipe disse...

lindo...

João Videira Santos disse...

As palavras na emoção dos sentidos...voam!

Graça disse...

Afinal... é sempre tempo de recomeçar. Gosto de te ler em qualquer registo :)... até pictórico!


Um beijo imenso de carinho, minha querida Margusta