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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Das Lágrimas, e das Palavras...


Afinal é mais um final de tarde. Um mais!... Igual  ( ou talvez não) a tantos outros. O mar espera-me. Agora cada vez mais azul...  Sinto que o Inverno a que me abandonei, me devolve aos poucos  de novo à vida. Atravesso a rua, pouco movimentada àquela hora, e avisto as primeiras andorinhas a sobrevoarem as dunas.  Das palavras trancadas, seguro as últimas lágrimas, na ponta dos dedos. No movimento enfraquecido, sinto um calafrio no corpo, e uma náusea no estômago.  É o retorno dos gestos...
Espalho-as em volta dos olhos... Quem sabe as andorinhas venham beber da essência da palavra de que sou feita...  Quem sabe?
Pois que venham.  Pois que bebam.  Que a levem na ponta dos bicos, em pequenas gotículas transparentes.  Que a deixem cair sobre a terra com os seus  voos graciosos e alegres.  De preferência num campo de papoilas vermelhas  de bocas abertas.  Assim como abertas, foram e serão sempre as minhas palavras.  Assim como vermelho é o sangue que me corre nas veias, e  que  me  reclama pela vida...
(...)

Maria Augusta Loureiro
(Margusta)
In ( As Palavras)

*Reservados todos os direitos de autor (fotos e texto)*