Viaja-me no sangue
um poema vermelho.
Em silêncio,
circulam rubras as palavras,
construindo os versos.
Deslizam desordenadas,
as rimas ardentes...
Pedaços de lava,
incandescentes!
O lume queima as veias.
Na carne, quase em chamas,
o desejo arde!
E a boca em fogo,
que a tua me pede,
lasciva se abre...
-Vem amor...é tarde!...
Maria Augusta Loureiro
Margusta
* Reservados todos os direitos de autor
Poema já aqui publicado, e que hoje dedico a todos aqueles que amam e se amam . Para todos um MUITO
FELIZ DIA DE S.VALENTIM!!!
Eu, como diz a minha amiga MARIA, vou ali e volto já!
Façam o favor de serem FELIZES!!!
AQUI,onde as
palavras mofaram, continuo a respirar. Inspiro,expiro, para de novo inspirar...
AQUI o ar está viciado. Bafiento!... A humidade escorre pelas paredes
bolorentas, e mancha o chão de madeira apodrecido. Pelas grades enferrujadas da
janela entra alguma luz. Pouca.
Não existem
móveis, apenas uma cadeira no meio do quarto. Vejo-a dAQUI , deste
canto, onde me sento no chão, com os cotovelos apoiados nos joelhos. Entre as
mãos, seguro a cabeça cansada. O olhar passeia-se pelas manchas da humidade na
parede, ou pelos ferros da grade da janela, por onde entra alguma luz. Pouca,
como já disse.
Não sei
quanto tempo se passou desde que estou AQUI. Sei apenas que era Verão, e
o meu corpo gelou. Em seguida, o barulho da porta a fechar-se, e este quarto...
Se olhar sobre o meu ombro esquerdo, vejo a porta. É de madeira escura , tem
apenas uma argola de ferro pendente, faz-me lembrar a porta de uma velha
masmorra.
DAQUI deste
canto, já me levantei alguns vezes, no intuito de a abrir. Não consegui... Por
isso regresso de novo a este canto, e espero sentada. Espero que a cadeira seja
ocupada. Quem sabe por palavras frescas, renovadas. Quem sabe por uma brisa de
ar puro, ou um pouco de luz que escorra pelas grades...
Fecham-se as mãos ,
em gestos sem respostas.
Lambe, a língua o vazio
do silêncio,
saboreando as ultimas palavras.
Na distância habitam lábios,
sem pronuncia.
Encerram-se os sons,
nos ponteiros do relógio da sala.
Por detrás das horas,
questiona-se o tempo,
tacteando as silabas da memória...
Reflectidas nas pupilas,
as ondas em que nasce a manhã,
são sempre as mesmas, em que o sol se deita...
Existem frases sem retorno!...
Resistem ao regresso da linguagem.
Somente persistem, mudas pela inércia ,
em longínquas constelações,
envoltas de escuridão e surdez...
E,
no mutismo do ser,
a noite faz-se um deserto...