AQUI, onde as
palavras mofaram, continuo a respirar. Inspiro,expiro, para de novo inspirar...
AQUI o ar está viciado. Bafiento!... A humidade escorre pelas paredes
bolorentas, e mancha o chão de madeira apodrecido. Pelas grades enferrujadas da
janela entra alguma luz. Pouca.
Não existem
móveis, apenas uma cadeira no meio do quarto. Vejo-a dAQUI , deste
canto, onde me sento no chão, com os cotovelos apoiados nos joelhos. Entre as
mãos, seguro a cabeça cansada. O olhar passeia-se pelas manchas da humidade na
parede, ou pelos ferros da grade da janela, por onde entra alguma luz. Pouca,
como já disse.
Não sei
quanto tempo se passou desde que estou AQUI. Sei apenas que era Verão, e
o meu corpo gelou. Em seguida, o barulho da porta a fechar-se, e este quarto...
Se olhar sobre o meu ombro esquerdo, vejo a porta. É de madeira escura , tem
apenas uma argola de ferro pendente, faz-me lembrar a porta de uma velha
masmorra.
DAQUI deste
canto, já me levantei alguns vezes, no intuito de a abrir. Não consegui... Por
isso regresso de novo a este canto, e espero sentada. Espero que a cadeira seja
ocupada. Quem sabe por palavras frescas, renovadas. Quem sabe por uma brisa de
ar puro, ou um pouco de luz que escorra pelas grades...
AQUI as
palavras mofaram e o meu corpo gelou...
Mas eu
inspiro e expiro, e continuo a respirar...
Maria Augusta Loureiro
(Margusta)
In "Divagando"
* Reservados todos os direitos de autor*









