Escorrem-me do olhar,
furtivas gotas de luz.
Fecho as janelas das pupilas,
e deixo que reluzam no sorriso,
com que te digo...
Coloca as palavras que ainda te restam,
na minha boca.
Mesmo aquelas de tradução impossível.
Não deixes que se dissipem na tua memória,
ou se percam, no pomar de todas as lembranças.
Éden em que pássaros azuis,
debicavam frutos vermelhos...
Sentada, debaixo das copas das árvores,
(des)esperei.
Rasguei e costurei o coração, vezes sem conta.
Vi os pássaros partirem,
os frutos apodrecerem,
e as folhas caírem,
como as páginas soltas de um livro
velho, que não interessa mais ler...
Cala a voz da ausência.
Já não me ferem mais as palavras,
mesmo as feitas de silêncio,
que aprendi a soletrar,
nos murmúrios dos átomos vazios.
As estrelas, não sentem mais a mágoa,
e falam da Amizade...
Traduz!...
Porque eu sou,
nudez da silaba embrionária,
e eterna gota de luz
a brilhar na imensidão escura,
a que, num gesto egoísta,
da antítese do teu ser,
um dia me condenaste...
Vou abraçar-me,
deitar-me no peito das estrelas,
e apaixonar-me pela Vida!
Maria Augusta Loureiro
(Margusta)
* Reservados todos os direitos de autor